A saída do ministro e os rumos da educação

O espetáculo nada recomendável ao qual a nação foi submetida na última quarta-feira, quando da ida do ex-ministro da Educação Cid Gomes à Câmara dos Deputados, para se explicar sobre declaração proferida em evento no Pará, quando fez referência a possíveis achacadores naquela casa legislativa, revela o nível de tensão existente hoje em Brasília. Sem entrar no mérito do triste debate ocorrido naquele dia, com troca de insultos e uso de palavras de baixo calão, para o nível de público ali presente, o fato é que a saída de Cid Gomes do ministério causa preocupação em relação as intenções expostas pela presidente Dilma Rousseff no que diz respeito a pasta da educação. O slogan “Pátria Educadora” foi o mote encontrado pela presidente para definir a importância que o setor passaria a ter nesse seu segundo mandato.

Para gerir as propostas da chamada pátria educadora, Dilma chamou Cid Gomes pelos resultados alcançados no Ceará durante sua gestão no governo estadual. Ressalte-se que o ex-governador cearense era considerado da cota da presidente, do que se conclui ter a escolha sido feita por critérios de competência, tanto técnica, quanto política. Durante estes dois meses e meio à frente do MEC, Cid Gomes chegou a propor mudanças no Ensino Médio e no Enem e enfrentou uma crise quanto à aplicação de novas regras para o financiamento estudantil (Fies).

Temas complexos, mas que o ex-ministro não se furtou a se abrir para o debate com a sociedade. Somente na consulta pública sobre mudanças na aplicação do Enem, foram 29 mil contribuições chegadas ao MEC, o que mostra a disposição para o diálogo. Infelizmente, a gestão pública não está imune a variáveis alheias a questão meramente gerencial.

Cid Gomes deixa a pasta não pelo que fez ou deixou de fazer no âmbito da educação. Saiu porque cometeu o erro de peitar a nossa velha estrutura política. Resta agora esperar que a presidente Dilma tenha força para não desanimar em relação a sua intenção de manter a educação como prioridade em seu governo.

FONTE: https://www.opovo.com.br/

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